Bom dia!



Filha do céu, o tempo voa. Parece que foi ontem que te peguei nos braços, miudinha e linda. Você tinha 51cm e 3020kg... hoje, última vez que vimos, você estava medindo 64cm e estava com 7kg! Lembro como se fosse hoje... quando você tinha acabado de nascer, eu sonhava com o dia que você iria abrir os olhos ao acordar de manhã, me ver ali do seu lado e abrir aquela gargalhada mais gostosa...
E quando isso aconteceu, eu lembro da satisfação, da emoção e da alegria.

Sabe filha, cada coisinha nova que você aprende, deixa a gente maluco de orgulho. Chega a ser engraçado porque eu e seu pai ficamos até atrapalhados procurando a máquina para filmar ou tirar foto, e normamelnte quando a gente encontra você já está fazendo outra coisa. rsrsrsrs

Essa semana não consegui parar de pensar que em duas semanas você começa a comer! Sim... Vai começar a sua introdução ao mundo da comida. Sua mãe aqui tá louquinha querendo fazer o melhor para você. To pedindo conselhos e opiniões de várias mães para decidir como farei. Aqui no Canadá é tudo diferente do Brasil - eles começam com o cereais reforçados de ferro - fora isso, anda existem técnicas diferenciadas que eu acho muito legais, como o BLW (Baby Led Weaning). Um método que propõe que os bebês com mais de seis meses se alimentem sozinhos, com as próprias mãos, mantendo o próprio ritmo para refeição mas também conhecendo as texturas de cada alimento, já que não é papinha, come-se a verdura bem cozinha, molinha o suficiente para eles não terem problema para mastigar e engolir. Nessa confusão toda, essa sua mãe de primeira viagem aqui só quer acertar! Confesso que acho o BLW bem interessante, você é muito curiosa e independente, acho que vai gostar de descobrir os alimentos assim. Ao mesmo tempo, acho que ia gostar de te apresentar esse universo, e as papinhas iniciais me garantiriam que você não ia engasgar ou algo assim, e não quero te colocar em risco.

A gente lê coisa demais filhota... nossa! Um doidera. Quando olho para você, sinto um amor tão grande, tão imenso... e sinto um medo enorme de errar. Mas antes de você nascer também tinha um pouco desse medo e acabamos (e eu e seu pai) dando conta. Então sei que vamos dar conta de novo. Mas que mexe com a gente essas mudanças, ah, elas mexem! rs

Você agora já praticamente desfila no seu berço, vai de uma lado pra outro com uma facilidade!!!!!!! Tô vendo a hora que você vai levantar... rs Hoje, quando acordamos, você estava acordada brincando sozinha no berço, eu e seu pai ficamos bobos. Ahm?! "Olha isso, ela não pára!" A hora que você decidia pegar um brinquedo, você se arrastava usando a grade do berço para pegar impulso e chegar lá (como se tivesse andando de lado!). Virava de de bruços, de lado, de costas... isso em segundos!!!!!!!!!!!!!!!! A gente ria te vendo pelo monitor da babá eletrônica...

Dai, quando decidi ir lá te dar bom dia, você me recebeu com aquele sorriso gostoso. De orelha a orelha! Ahhhhhh... amo esse seu sorriso. <3 Eu entendi que era o seu jeito de dizer, "bom dia mamãe"!

Bom dia minha filha... hoje e todo dia!











Pra começar... você veio ao mundo!



Filha... enquanto escrevo você está aqui do meu lado, de bruços, brincando... e eu te olho e admiro o quanto você está forte, esperta e saudável. Minha risonha linda.

Aliás, antes mesmo de terminar de escrever a primeira frase. Já te peguei no colo, coloquei chupeta, brinquei um pouco... você tá morta de sono, mas fica teimando em não dormir. rs Parece eu!

A intenção dessa primeira carta é te explicar da onde surgiu essa ideia de escrever cartinhas para você. Claro que já vi filmes onde os pais faziam isso, mas normalmente eles estavam doentes e queriam deixar algo para seus filhos. No meu caso, não tem nada disso. Queria escrever para que um dia você tenha oportunidade de ler e saber como era a nossa vida, como ela se transformou e se iluminou com a sua chegada. Ah filha, você não tem ideia de como você transformou a nossa vida. Como você deixou tudo mais bonito, mais alegre. Filha, você completou a gente!

Acho que o tópico número um aqui seria te contar um pouco do dia em que você nasceu. Sim, como fizemos um blog durante a gravidez, lá conta tudo sobre os detalhes de como foi ter você aqui dentro de mim... mas acabei nunca postando nada sobre como foi colocar você no mundo. E literalmente filha, eu te coloquei no mundo... ! Claro que seu pai estava o tempo todo do meu lado, me deu muito apoio, sentiu cada dorzinha comigo... foi ele que te entregou em minhas mãos! Ah, fico até arrepiada só de lembrar.

Deixa eu começar do começo (aliás, você vai perceber que a sua mãe aqui às vezes se empolga e passa de um assunto para outro com muita facilidade. rs Vou tentar me controlar!)

Tudo começou numa sexta-feira a noite, dia 30 de julho. Senti uma aguinha descendo enquanto conversava com sua tia Juju no skype. Tomei um susto, mas tive certeza que não era normal. Meu primeiro reflexo foi ligar pro seu pai e pedir para ele vir pra casa. Depois liguei para doula que me disse para andar pelo bairro, fazer exercicio mesmo, para ver se as contrações vinham antes de ir para o hospital. E lá fomos eu e seu pai. Andamos por todo o bairro!!!! rs Mas as contraçoes de verdade, com dor não apareceram... eu sentia algo, mas bem fraquinho. Mesmo assim, quando cheguei em casa, liguei para o hospital e como tinha havido aparentemente algum rompimento de bolsa, eles me madaram ir para lá. Lá fomos nós, com malas e travesseiros. Chegamos e ficamos em um quarto grande de triagem, lá fizeram um exame para saber se o que eu tinha sentido descer era mesmo o liquido amniótico. E era! Ou seja, não fomos liberados. A partir daquele momento, minha filha, sabíamos que você viria ao mundo naquele fim de semana. Sabíamos que, em pouco tempo, veríamos o seu rosto. Só isso filha, já arrepia a espinha e acelera o coração!






Nós tentamos de tudo naquela madrugada para não ter indução do parto. Eu sabia que se as contrações fortes não viessem, eu acabaria tendo que tomar ocitocina - esse é o hormônio que os bebês liberam e que desencadeia as contrações. Quando elas não vem naturalmente, eles acabam aplicando a ocitocina artificial. O detalhe é que, dessa forma, as dores são ainda maiores e a maioria das pessoas acaba pedindo a anestesia para aguentar ir até o fim. Eu não queria anestesia...

Mas passamos a madrugada apertando todo e qualquer ponto do corpo que poderia ajudar a fazer as danadas das contrações virem. Mas nada... amanheceu e lá vieram eles com a noticia. Não tem jeito, "como sua bolsa está parcialmente rompida, não podemos esperar tanto". Às 15h fomos para o quarto oficial e eles começaram a administrar a ocitocina em mim. Senti medo...! Mas quando pensava que você estava a caminho... tudo ficava mais calmo. As enfermeiras do hospital falavam que não viram uma mamãe em trabalho de parto rindo tanto. Eu ria, porque não importava a dor que eu fosse sentir, eu ia te encontrar logo depois...



A ocitocina demorou para fazer efeito... eles começaram a administrá-la às 15h. Là pelas 20h, minha bolsa rompeu completamente... e ai sim, as dores intensas começaram. Nunca pensei que fosse resistir. Oh meu Deus, era muita dor. Eu quase não tinha intervalo entre as contrações... Eu me contorcia inteira, delirava. Fato é... foi como se eu tivesse levado um soco. Toda a ocitocina que havia sido administrada até aquele momento fez efeito de uma vez e me acertou em cheio.  O que me lembro foi de examinarem meu colo e me falarem que eu estava com 4cm de dilatação... e eu pensar em pedir a anestesia. Mas antes resolvi ir para a banheira... lá ficamos por 20 minutos... muita, muita dor.


E quando saímos da banheira eu comecei a sentir uma vontade enorme de empurrar... mais um exame de colo e, em 20 minutos, eu tinha passado de 4 para 10 cm. Dilatação completa. Hora de fazer todo o esforço do mundo para te colocar no mundo, meu amor. Foram 1 hora e 45 minutos de empurra e empurra e...  Às 1h45, do dia 1 de junho de 2014, um sábado, você nasceu. Seu pai te entregou nas minhas mãos. Lembro que tive que segurar em cima da barriga porque o cordão umbilical era curto e estávamos esperando ele acabar de pulsar todo o sangue. Esse pequeno momento, essa espera para acabar de pulsar o cordão, pareceu tão longa. Minha vontade era te abraçar forte filha, bem perto do meu peito. Ah, minha filha, a hora que ouvi teu choro e vi teu rosto... todas as dores e os delírios que eu tive durante o trabalho de parto foram esquecidos. Aquele momento virou o momento mais feliz da minha vida. Eu sei que nem todo mundo tem uma conexão imediata com o bebê, mas eu e você tivemos. Naquela hora entendi tudo. Minha vida acaba de se transformar, porque eu me transformei. Quando você nasceu... eu, essa nova eu, eu mãe, nasceu também.




Seu pai, filha, estava ali comigo o tempo todo. Me deu a mão, chorou comigo. Me encorajou. Viu você vir ao mundo, te entregou nas minhas mãos, cortou o cordão umbilical... e chorou de felicidade quando te conheceu. Você era cabeluda, filha. Eu nem acreditava, jurava que seria careca. Um bochecha rosa e olhinhos claros. Os olhos você deve ter puxados dos seus avós!







Depois que ele te entregou para mim filha, ninguém mais te tirou de perto de mim. Você ficou grudadinha comigo, deitada no meu peito durante 45 minutos seguidos.... quando de repente você, sozinha, achou o meu peito e começou a mamar. Meu Deus, filha. Mais mãe que isso?! Tinha te colocado no mundo e agora estava te alimentando... e tudo da forma mais natural que foi possível (não queria a ocitocina, mas se algum dia você tiver um irmãozinho, quero o parto em casa para tentar evitar o máximo!).




Seu pai virou o melhor pai do mundo na mesma hora. Também nasceu com você. Ele trocou sua primeira fralda e cuidou muito de você e de mim. Na maternidade, nós ficávamos te olhando durante um tempão, admirando esse milagre, esse presente que foi e é você em nossas vidas!

No mesmo dia em que você nasceu, 8 pessoas vieram te visitar na maternidade, minha filha. Sua mãe estava cansada, mas sem nenhuma dor, pronta para receber as visitas e te apresentar para todo mundo. Você já era linda. Perfeita. Cheia de saúde. Todo mundo te pegou no colo... foi uma festa, filha.

Você nasceu no sábado e tomou seu primeiro banho no domingo, a enfermeira veio no quarto nos ensinar. Aqui é assim porque quando você nasce, tem uma substância que ainda cobre o seu corpo e que você absorve naturalmente e que faz bem para você, meu amor. Era tanta coisa nova. Tínhamos medo de não darmos conta... mas percebemos que nosso instinto, nossa natureza nos mostra. Sua vó Mônica ia chegar na semana seguinte do seu nascimento, quando eu completaria 38 semanas. Mas voce resolveu se apressar, e chegou com 37 semanas de gestação. Ficamos com medo dessa primeira semana sem ninguém para nos ajudar... mas, minha filha, eu e seu pai somos um time. Nós demos conta sim, recebemos visitas... você mamava de 3 em 3 horas, eu dava de mamar, seu pai trocava a fralda... dávamos o banho juntos. Tudo numa sintonia que nem a gente imaginava ser possivel. Se antes éramos um casal, agora nos transformamos numa familia. Familia! E essa aventura estava só começando... e não vai terminar mais. E que bom. Que maravilhosa é a vida com você, meu amor.






Esse foi o dia mais feliz da minha vida. O meu e o do seu pai. Sem dúvida. Obrigada por ter nos escolhido, filha, nossa menina, nossa moleca, nossa filha, nossa Lys. Nosso maior amor!




 
Cartas para Lys Blog Design by Ipietoon